domingo, 14 de setembro de 2008

Mulher Pardal e Homem Pato - Pág. 2

Mas, então, tão surpreendentemente/estranhamente como ela se tornou visível quase que do nada, para esse mesmo nada retornou. E com isso provocou aquela incômoda sensação de "será que foi só impressão?" O mais simples e comum seria aceitar essa "visão" como sendo um simples engodo  do sentidos e se contentar com isso, mas algo protestava contra. Simplesmente não parecia certo aceitar que o extraordinário não tivesse lugar neste mundo.

Desta forma, o incômodo com o estranho foi transformado em curiosidade. A mesma curiosidade que os habitantes daquela casa esperavam evitar, afinal, tanto trabalho para alcançar a quase perfeição do ordinário deveria se pagar. Era o mínimo a ser conseguido, principalmente após tantas tentativas fracassadas de passarem despercebidos. 

Sim, eles conheciam muito bem o alto preço pela notoriedade. Já o haviam pago várias vezes e a cada uma delas ficava mai e mais alto. Por isso a opção pelo estilo pequeno burguês. Para eles, quão mais próximos do ideal de modo de vida padronizado, menos atenções eles chamariam, afinal, a simples reclusão em relação às pessoas e a não-observância das cobranças sociais serviu apenas para que essas pessoas as notassem ainda mais.


"Estranhos", diziam; "gente esquisita", ecoava; "loucos" e, finalmente, "com certeza são perigosos". "Demônios" ou, no mínimo, "enviados de Satã". Quanto mais eles tentavam se esconder, maior era a desconfiança que geravam, até que, finalmente, a intolerância explodia. 

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